Ontem à noite, fui a um bar para viajantes do tempo, a poucos quarteirões do escritório da Europeana em Haia, beber uns copos e ver o que podia aprender.
«Conhecem a Europeana no futuro?», perguntei a um patrono enquanto esperávamos pelas nossas bebidas.
«Europeana?», gritou ela, por cima do barulho do bar cheio de gente. «É claro! No futuro, é uma das iniciativas mais importantes da UE!»
Falou-me da Europeana nas escolas, nas casas e nas comunidades. Europeana em todos os países e em todas as línguas. Europeana como comunidade, uma celebração do espírito humano, um instrumento de reflexão, coesão cultural e mudança positiva.
E, enquanto ouvia com admiração, apercebi-me de que a missão da Europeana, de transformar o mundo com a cultura, se tinha tornado milagrosamente realidade.
«Mas como é que o fizemos?», gaguejei. «O que fizemos para tornar este sonho uma realidade?»
Ela não sabia.
Pedimos a todos no bar. Todos sabiam que a Europeana e o nosso património cultural comum eram amados, apreciados, mas não como conseguiram isso, nem que decisões ajudaram ao longo do caminho.
Senti-me tonta quando me despedi e entrei no ar fresco da noite. Sabemos que o futuro pode ser belo, mas como fazê-lo assim? Será que vai ser uma tecnologia? Uma visão? Financiamento e liderança? Uma nova relação entre as instituições e as pessoas a quem estão destinadas a servir?
É difícil dizer com certeza. Mas, ao pensar nos viajantes que conheci ontem à noite e nos 25 anos que passei a trabalhar na transformação digital no setor cultural, tenho quase a certeza de que: o futuro que queremos — cidadãos empenhados numa Europa saudável e resiliente — só se concretizará se tivermos a imaginação e a coragem de repensar velhas suposições, elevar a nossa visão e relançar o mundo.
