Sobre o projecto
O projeto Quarantine Archives nasceu na Bélgica na primavera de 2020, na sequência do primeiro confinamento da pandemia de COVID-19. O projeto visa sensibilizar os arquivistas e os cidadãos para a importância de preservar os vestígios deste período específico, não só para dar aos historiadores de amanhã as fontes necessárias para compreender esta crise, mas também para fornecer ferramentas para os arquivistas gerirem melhor essa crise no futuro.
A plataforma em linha do projeto foi lançada em 14 de abril de 2020 graças a uma parceria entre as associações francófonas (AAFB) e neerlandófonas (VVBAD) do setor arquivístico belga. Em poucas semanas, mais de vinte instituições de arquivo do país aderiram ao projeto: lançaram convites à apresentação de coleções em todo o país e receberam fotografias, desenhos, textos, máscaras e outras iniciativas dos cidadãos, que foram arquivadas para o futuro.
A plataforma liga cidadãos e arquivistas para poder recolher mais conteúdos, bem como destacar iniciativas e investigação conexas. Insuspeito no início, o projeto até parecia oferecer uma válvula terapêutica aos cidadãos abalados pela crise.
Comunidade e ligação em rede
A comunidade arquivista belga não se deteve na criação da plataforma, apercebendo-se rapidamente de que grande parte do material que estava a recolher era produzido em linha, especialmente nas redes sociais, onde floresciam muitas iniciativas de solidariedade ou diários. A plataforma Quarantine Archives tornou-se também um local de partilha de experiências em matéria de arquivo na Web e nas redes sociais. Os arquivistas mais experientes oferecem tutoriais, enquanto outros partilham as suas próprias experiências. A fim de destacar o seu trabalho, os arquivistas participantes lançaram também um podcast «Vis ma vie d'archiviste confiné-e» na plataforma, explorando a forma como esta crise alterou o seu trabalho.
Estas iniciativas suscitaram uma série de debates e questões: Se não arquivarmos estes diários online, vamos deixar que as grandes empresas de tecnologia o façam? A crise pôs em causa o papel dos arquivistas; a partir de «coletores» de documentos, alguns deles tornam-se «criadores» de documentos, por exemplo, recolhendo testemunhos orais de dirigentes sindicais, gestores de cemitérios ou costureiras de máscara.
Exposições e conteúdos
De acordo com uma primeira avaliação provisória realizada em dezembro de 2021, o projeto Quarantine Archives recolheu mais de 3 000 documentos em toda a Bélgica. A maioria dos documentos recolhidos são digitais e foram recolhidos em torno do primeiro confinamento - houve menos entusiasmo durante novos confinamentos.
Para promover os arquivos de quarentena, em março de 2022, dois anos após o primeiro confinamento, a AAFB publicou uma exposição virtual. Reúne cerca de 40 documentos recolhidos durante a crise (fotografias, vídeos, testemunhos áudio, arquivos Web, páginas do Facebook), selecionados por arquivistas e acompanhados dos seus testemunhos. Esta exposição destina-se tanto aos arquivistas como aos cidadãos, a fim de promover e partilhar detalhes sobre a profissão arquivista e sensibilizá-los para a questão dos seus próprios arquivos. Um participante na abertura virtual da exposição afirmou: «É realmente uma grande iniciativa arquivar o que os cidadãos fizeram [durante esta crise] e apresentar a profissão de arquivista.»
Planos futuros
Ao longo de dois anos, a plataforma Quarantine Archives desempenhou um papel unificador no setor arquivístico belga. Reuniu os esforços dos arquivistas para documentar a crise, criou ligações entre profissionais, tirou muitos do seu isolamento e sensibilizou para a sua missão. Com base nesta primeira experiência, a AAFB está agora a sensibilizar os arquivistas e os cidadãos para preservar os vestígios de outras crises.
Por último, a criação dos Arquivos de Quarentena revelou a necessidade de arquivos francófonos belgas: a criação de um espaço virtual comum que reúna os indivíduos e as estruturas que preservam os vestígios do que faz a nossa sociedade. A longo prazo, o projeto Arquivos de Quarentena pretende tornar-se uma ferramenta Web mais ampla, centralizando e federando a questão transversal dos arquivos na sociedade; um ponto de entrada comum para o investigador, o cidadão e o arquivista. A AAFB pretende continuar a sua consciência da importância de documentar a nossa sociedade para as gerações futuras, com uma preocupação pelo património, mas também pela democracia. O agrupamento continuará, portanto, para a preservação da memória da Bélgica e da memória do mundo.
Este post foi escrito de forma colaborativa pela Associação dos Arquivistas Francófonos da Bélgica (AAFB). Fundada em 2005, a AAFB é uma organização sem fins lucrativos que representa os interesses dos arquivistas francófonos e gestores de registos na Bélgica.
